Memórias de um Magro


22/01/2006


Gosto dos primeiros raios de sol, de ouvir a natureza se espreguiçando. Por ser declaradamente nostálgico também admiro o crepúsculo, o céu em chamas. Mas o que seria de mim sem a madrugada? Fui criado no sereno, de frente ao cruzeiro do sul. A alta noite sempre foi minha confidente. Seja nos bares (na companhia luxuosa dos amigos), solitariamente na cama (devorando algum livro) ou estabelecendo virtualmente diálogos surreais na tela do meu fiel LG. Sei lá, acho que o sentimento se agiganta depois da meia noite. Eu ainda não tenho como provar isso cientificamente. Mas tenho alguns amigos que podem depor a meu favor.

Escrito por O Magro às 21h54
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14/01/2006


 Numa casa perdida no perímetro leste da cidade uma sombra furtiva e esguia espreita do seu quintal o clarão assombroso da lua. Parece um moleque em cima do muro. Parece acreditar que as coisas vão melhorar continuamente.  Desde de muito cedo ele aprendeu com sua avó que existe o tempo certo da colheita. Mas o menino também sabe que é preciso se permitir. A vida exige uma certa urgência, meu rapaz.

Escrito por O Magro às 14h36
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05/01/2006


A equipe do site Memórias de Um Magro acompanhou a virada do ano em diversas partes do mundo. Nossos repórteres registraram e fotografaram a alegria dos povos nos cinco continentes. Entre flashes, depoimentos e imagens o repórter Fulgêncio Fugido e a fotógrafa Lampreia Leal tiveram a sorte de encontrar o magnata e playboy Marcelo Tavares, mais conhecido como Panela. O encontro aconteceu no badalado reveillon da praia de Pipa, no litoral sul do Estado do Rio Grande do Norte. Apesar de ser avesso a entrevistas ele concordou (depois de muita insistência) em atender a nossa equipe. O bate-papo durou pouco mais de 15 minutos. Leia agora a entrevista na íntegra.

Memórias: A revista Caras publicou na última edição que você passaria o reveillon em Barcelona? Por que a mudança? Pipa é melhor?

Panela: A questão não é essa. Não existe pior ou melhor. Tudo depende da companhia certa. Hoje, por exemplo, eu não queria estar em outro lugar.

Memórias: Por que?

Panela: Ora, tenho ao meu lado um grupo de amigos que eu adoro. Como se não bastasse tenho também aos meus pés uma das praias mais lindas do Brasil.

Memórias: Mas recentemente um jornal de grande circulação nacional disse que o povo que vem pra cá é "malhado". O que você tem a dizer sobre isso?

Panela: A liberdade de expressão é um direito constitucional. O que eu posso te dizer é o seguinte: essa foi uma das melhores festas que eu já participei! Fiz novas amizades, encontrei pessoas queridas, sorri como nunca e terminei o ano com a certeza de que fiz a escolha certa.

Memórias: Por que ficar num camping se você poderia ficar no hotel que bem desejasse?

Panela: E perder o melhor da festa, a putaria, o caquiado, as escrotagens? Nunca.

Memórias: Mas você teve problemas no camping...

Panela: Uma fatalidade. Café pequeno diante de um fim de semana perfeito. Dinheiro nunca foi problema pra mim. O maior prejuízo foi ter perdido o meu chaveiro de estimação. Presente de uma amiga que eu adoro. Roupas e circuitos integrados a gente compra em qualquer esquina. Valor sentimental, não.

Memórias: E os projetos para 2006?

Panela: Aproveitar a vida. Cada vez mais.

Memórias: Isso inclui o carnaval em Recife?

Panela: Ainda não sei. Tenho uma viagem marcada para a Noruega no fim de fevereiro. Se eu conseguir cancelar esse compromisso certamente estarei subindo e descendo as ladeiras de Olinda com os meus amigos.

Memórias: Algum recado para aqueles que ainda não conseguiram alcançar o sucesso?

Panela: Assumam riscos.

Escrito por O Magro às 13h26
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28/12/2005


"Bom é não fumar
Beber só pelo paladar
Comer de tudo que for bem natural
E só fazer muito amor
Que amor não faz mal"

Monsieur Binot - Joyce

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Por favor, não termine o ano de cara feia! Não culpe a vida pela falta de oportunidades, não amaldiçõe o seu vizinho por ele só ouvir calypso, perdoe o cretino que roubou a sua vaga no estacionamento, reze pela alma do infeliz que furou a fila do banco, sorria para o mal educado que jogou a latinha de cerveja pela janela do ônibus. Afinal, todos são criaturas de Deus e merecem uma segunda chance (não mais que isso!).

Evite reclamações, não alimente provocações, esqueça os arrependimentos.

Valorize as pequenas, médias e grandes conquistas (ou tu vai querer me convencer de que não conquistou pooooooorra nenhuma em doze meses?). Faça mais por você, criatura! Chute o rabo da tristeza! Fuja das almas sebosas e, sobretudo, abrace com força as pessoas que realmente te amam. Porque, no fim das contas, são elas que seguram tua barra quando o teto vem abaixo.

Feliz 2006, meus queridos!

Escrito por O Magro às 17h34
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25/12/2005


1h05. O meu vinho Piagentini Edição Especial tá no fim. Vale salientar que ele sofreu um processo de envelhecimento por seis meses na prateleira do Carrefour. É deprimente ficar bêbado sozinho, mas diante das circunstâncias esse foi o melhor caminho. Pior ainda é nunca ter visto minha família reunida para uma verdadeira ceia de natal. Pior ainda é tentar falar com quem a gente gosta muito e escutar pelo telefone: Tá dormindo! Pior ainda é ouvir a seleção musical do infeliz do meu vizinho. Pior ainda é acessar à internet em pleno Natal e escrever tanta merda. Foda-se. Eu vou beber mais pra pensar mais merda e escrever mais merda.  Talvez eu volte mais tarde... com mais merda!

Escrito por O Magro às 02h09
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23/12/2005


É incrível como a mídia orquestra magistralmente um exército de luzes, sons, cores, músicas e apelos emocionais para transformar dezembro numa época de redenção e consumismo. Claro que isso nunca vai mudar. Eu apenas acho engraçado essa correria desvairada de certas pessoas em fazer e desejar o bem com prazo de validade. Essa bondade instantânea de perdoar as pessoas como se daqui a cinco minutos Deus viesse fazer uma auditoria interna na vida de cada um.

 

Sei não, sei não... Acho que eu tô ficando cada dia mais ranzinza. Bem, por precaução, comprarei ainda hoje à noite um jeans que eu vi na liquidação. Coisa pouca, R$ 215,00. Depois abraço a vendedora anônima, desejo boas festas e volto pra casa de consciência limpa. Moral da história: consumir pode, mas deixar de desejar Feliz Natal, jamais!

Escrito por O Magro às 18h13
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20/12/2005


Queria muito escrever um texto divertido. Juro. Mas acho que eu perdi o jeito, a fórmula, a forma. Já não consigo retirar do cotidiano a matéria bruta. O jeito é rir da minha própria cara. Motivos não me faltam...

Escrito por O Magro às 01h45
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17/12/2005


As melhores mulheres pertencem aos homens mais atrevidos. Tenho visto essa frase (dizem que é de Machado de Assis) com uma certa freqüência. Aparando os exageros eu até que concordo com a teoria. Sou prova do quanto a falta de atitude pode anular uma criatura por tanto anos.  Eu ainda tenho esperança de não ser o mesmo até morrer. Sei que pequenas mudanças de postura e atitudes deixariam o meu universo de cabeça pra baixo. Mas quem disse que não há beleza e ordem no caos?

Escrito por O Magro às 00h26
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10/12/2005


Por que expressar sentimentos, de forma clara e transparente, é interpretado por algumas pessoas como sinal de fraqueza?

Escrito por O Magro às 23h15
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07/12/2005


Arte do chá

 

ainda ontem

convidei uma amiga

para ficar em silêncio

comigo

 

ela veio

meio a esmo

praticamente não disse nada

e ficou por isso mesmo

 

Paulo Leminski

 

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Silêncio. Monossílabos. Frases curtas. Pausa. Mais silêncio. Eles nunca entenderam isso. Às vezes... Nem eu... Afinal, cumplicidade é uma virtude?

Escrito por O Magro às 21h03
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